
Os oceanos registraram em julho de 2026 a maior temperatura média da superfície do mar já observada para o mês, segundo dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia. O recorde reforça a atenção sobre o aquecimento dos mares e seus efeitos sobre os ecossistemas, o clima e as regiões costeiras.
A temperatura média da superfície dos oceanos fora das regiões polares, entre 60°S e 60°N, chegou a 20,96°C em julho. O valor superou o recorde anterior para o mesmo mês, de 20,89°C, registrado em 2023.
O resultado ocorre em um período de temperaturas elevadas em diferentes partes do planeta e durante o desenvolvimento de um novo episódio de El Niño, fenômeno que influencia a circulação atmosférica e as temperaturas do oceano, especialmente no Pacífico equatorial.
Por que a temperatura dos oceanos é tão importante?
O oceano exerce um papel fundamental na regulação do clima. Além de armazenar uma enorme quantidade de calor, ele participa das trocas de energia e umidade com a atmosfera.
Por isso, quando a temperatura dos oceanos permanece acima dos padrões históricos, os efeitos não ficam restritos ao ambiente marinho.
O aquecimento da superfície do mar pode alterar condições que influenciam a atmosfera, além de aumentar a ocorrência de ondas de calor marinhas, períodos em que determinada região do oceano permanece excepcionalmente mais quente do que o normal.
Em julho de 2026, esse cenário ganhou proporções especialmente relevantes.
Uma análise do Mercator Ocean International, baseada em dados do Copernicus Marine Service, apontou que 27% da superfície oceânica registrou ondas de calor marinhas de intensidade forte ou superior durante pelo menos um dia do mês. Foi a maior extensão desse tipo observada em um mês de julho nos 34 anos analisados.
Atlântico e Mediterrâneo também registraram temperaturas elevadas

O aquecimento não ficou concentrado em uma única região.
Ao redor da Europa, áreas do Atlântico e do Mediterrâneo Ocidental apresentaram temperaturas da superfície do mar em níveis recordes para julho, acompanhadas por ondas de calor marinhas fortes ou severas.
O Mediterrâneo merece atenção especial. De acordo com o boletim do Mercator Ocean International, a temperatura média da superfície do Mediterrâneo chegou a 27,07°C, tornando julho de 2026 o mês de julho mais quente já registrado para a região. Cerca de 79% da área do Mediterrâneo foi afetada por ondas de calor marinhas fortes ou superiores durante pelo menos um dia.
O dado chama atenção também para quem vive, trabalha ou pratica atividades de lazer no mar. O Mediterrâneo é uma das áreas mais utilizadas para navegação recreativa e turismo náutico, além de concentrar importantes ecossistemas costeiros.
O que são ondas de calor marinhas?
As ondas de calor marinhas acontecem quando a temperatura do oceano permanece excepcionalmente elevada durante um determinado período em relação ao padrão esperado para aquela região e época do ano.
Esses eventos podem afetar diferentes componentes do ambiente marinho. Entre eles estão espécies de peixes, organismos que vivem associados aos recifes, algas e outros integrantes das cadeias alimentares.
O problema é que temperaturas elevadas por períodos prolongados podem provocar estresse térmico nos organismos marinhos e alterar a distribuição de espécies.
Estudos científicos recentes também reforçam que as ondas de calor marinhas podem modificar processos biológicos e ecológicos no oceano.
El Niño contribui para o aquecimento do Pacífico

Outro fator presente no cenário atual é o desenvolvimento do El Niño no Pacífico equatorial.
Segundo o Copernicus, temperaturas excepcionalmente elevadas foram observadas em grande parte do Pacífico tropical em julho. As condições associadas ao fenômeno devem ganhar força nos próximos meses.
O El Niño é um fenômeno natural do sistema climático e ocorre devido a mudanças nas condições de temperatura da superfície do Pacífico equatorial, acompanhadas por alterações na circulação atmosférica.
Ele pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo. Por isso, seu desenvolvimento é acompanhado de perto por centros meteorológicos e climáticos.
É importante, porém, não atribuir o recorde dos oceanos exclusivamente ao El Niño. O aquecimento de longo prazo provocado pelas mudanças climáticas também influencia as temperaturas do sistema oceânico.
Calor intenso e incêndios atingem a Europa
O recorde dos oceanos ocorreu paralelamente a um período de calor excepcional na Europa Ocidental.
Entre junho e julho de 2026, a temperatura média da região chegou a 21,62°C, valor 2,79°C acima da média de referência e superior ao recorde anterior, registrado em 2022.
A sequência de ondas de calor veio acompanhada por condições de seca em diferentes áreas do continente. Em julho, regiões da Península Ibérica, França, Alemanha, Áustria e Hungria apresentaram condições mais secas do que o normal.
A combinação entre calor persistente, baixa umidade do solo e vegetação seca favoreceu condições propícias para incêndios florestais em partes da Europa.
A relação com os oceanos deve ser compreendida dentro de um contexto mais amplo: o aquecimento do mar não é, isoladamente, a causa dos incêndios. O fogo está diretamente associado a fatores como calor, seca, disponibilidade de vegetação seca, vento e condições locais.
Entretanto, o oceano faz parte do sistema climático que influencia a circulação de calor e umidade pelo planeta. Por isso, acompanhar a temperatura do mar ajuda os cientistas a compreender melhor o comportamento do clima global.
Oceanos mais quentes podem afetar regiões costeiras
Para o setor náutico, acompanhar as condições do oceano vai muito além da temperatura da água.
A elevação da temperatura do mar está relacionada a mudanças ambientais que podem afetar ecossistemas costeiros e marinhos. Isso é especialmente relevante em regiões onde atividades como pesca, turismo, mergulho, esportes aquáticos e navegação movimentam a economia local.
Além disso, o monitoramento contínuo da temperatura da superfície do mar é uma das ferramentas utilizadas para acompanhar mudanças no ambiente oceânico e identificar eventos extremos, como as ondas de calor marinhas.
Para quem está no mar, portanto, conhecer as condições meteorológicas e oceanográficas da região continua sendo fundamental antes de uma navegação.
O que os recordes de temperatura dos oceanos mostram?
O recorde de julho de 2026 não deve ser analisado como um evento isolado.
Nos últimos meses, os dados do Copernicus já apontavam temperaturas excepcionalmente elevadas na superfície do mar. Em junho de 2026, por exemplo, a média da temperatura da superfície dos oceanos extrapolares chegou a 20,86°C, o maior valor registrado para o mês.
Em julho, o número aumentou para 20,96°C e ultrapassou o recorde anterior para o período.
Esse comportamento mostra por que o monitoramento dos oceanos é tão importante. Os mares respondem lentamente às mudanças de temperatura e armazenam grande quantidade de energia, o que faz deles um dos principais componentes do sistema climático.
Ao mesmo tempo, as ondas de calor marinhas podem gerar impactos locais muito mais intensos do que uma simples média global consegue revelar.
O oceano no centro das mudanças climáticas
O recorde de julho reforça a importância de observar o planeta de maneira integrada.
Atmosfera, oceanos, rios, solos, gelo e ecossistemas fazem parte de um mesmo sistema. Quando uma dessas partes sofre alterações persistentes, as demais também podem responder.
Para o setor náutico, essa relação é especialmente importante. O oceano não é apenas o espaço onde barcos e embarcações navegam: ele também é um ambiente essencial para atividades econômicas, turismo, lazer e conservação ambiental.
Por isso, acompanhar a temperatura dos oceanos, as ondas de calor marinhas e as condições meteorológicas é uma forma de entender melhor as transformações que já estão acontecendo nos mares e nas regiões costeiras.
Os dados de julho de 2026 acrescentam mais um sinal a esse acompanhamento: os oceanos continuam registrando temperaturas excepcionalmente elevadas, enquanto diferentes regiões do planeta enfrentam eventos extremos associados ao calor e à seca.





