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O que são Cracas e como o ultrassom pode preveni-las?

Quem tem uma embarcação sabe: os cuidados com o casco vão muito além de uma questão estética. E se existisse uma forma de prevenir o problema das incrustações marinhas, em vez de simplesmente tratá-lo depois que ele já aconteceu?

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As cracas parecem só um problema estético, mas podem comprometer performance, aumentar o consumo de combustível em até 30% e, em casos extremos, até fundir motores por entupimento do escapamento. A Compre Náutica visitou o laboratório da Anti Cracas e conversou com o diretor Teodoro Megalomatides sobre o sistema de ultrassom que rompe a bolsa de ar das larvas antes mesmo delas se fixarem no casco — uma tecnologia 100% nacional que já protege desde lanchas de passeio até plataformas da Petrobras e estações de tratamento de água pelo Brasil.

Foi essa a pergunta que nos levou até a Anti Cracas, empresa brasileira que desenvolveu uma solução inovadora para um dos desafios mais antigos — e mais subestimados — de quem navega em ambiente marítimo.

A Compre Náutica esteve no laboratório da empresa para conhecer de perto a tecnologia, batizada de ultra-cracas. Por trás dela, está Teodoro  Megalomatides, o “Grego”, diretor da empresa, que nos falou um pouco mais sobre como o ultrassom está mudando a forma de proteger cascos, propulsores e sistemas internos de embarcações.

O que são as cracas e por que a incrustação marinha é um problema sério

As cracas são crustáceos marinhos que se fixam em superfícies submersas — cascos, hélices, trocadores de calor, tubulações de circulação de água — e ali permanecem, se multiplicando e formando camadas cada vez mais espessas. À primeira vista, parece só uma questão de limpeza. Mas o problema vai muito além do visual.

As cracas são crustáceos marinhos que se fixam em superfícies submersas — cascos, hélices, trocadores de calor, tubulações de circulação de água. Uma vez aderidas, elas ali permanecem, se multiplicando e formando camadas cada vez mais espessas.

À primeira vista, parece só uma questão de limpeza. Mas o problema vai muito além do visual: o mecanismo biológico por trás da fixação das cracas é o que torna o combate a elas tão estratégico.

“As cracas têm uma bolsinha de ar na parte interna, que infla e murcha para que elas possam controlar o local onde estão navegando.”
– Teodoro  Megalomatides, o "Grego", Diretor da Anti-Cracas

É esse controle de flutuabilidade que permite que a larva se fixe. E é justamente esse mecanismo que o ultrassom neutraliza, ao explodir a bolsa de ar e fazer com que a larva perca o controle antes mesmo de grudar no casco.

Na prática, as consequências de uma infestação de cracas não-tratada incluem:

  • Perda de performance da embarcação, com aumento de atrito e resistência na água;
  • Aumento no consumo de combustível — segundo Grego, a redução comprovada com o uso do ultrassom fica entre 20% e 30%;
  • Comprometimento de partes estruturais do casco, incluindo o processo de osmose, que pode se formar a partir dos arranhões causados pela raspagem manual;
  • Obstrução de componentes internos críticos, como bombas de circulação de água, trocadores de calor e — em casos extremos — a tubulação de escapamento do motor.

Esse último ponto, inclusive, ilustra bem por que o problema vai muito além do que se vê na parte externa do casco. Como explicou Grego durante a visita, já houve casos de motores literalmente fundidos porque a craca entupiu a tampa do escapamento, impedindo a saída da fumaça.

Um problema silencioso, invisível durante a navegação, mas com potencial de gerar um prejuízo enorme.

Como funciona o sistema de ultrassom da Anti-Cracas

O equipamento é composto por duas partes: o transdutor de ultrassom, fixado na parte interna da embarcação, e o módulo eletrônico ao qual ele é conectado. Ambos são protegidos com resina epóxi para garantir resistência total à água, maresia e corrosão — o que permite à Anti-Cracas oferecer uma garantia de 5 anos para os dois componentes.

O equipamento pode ser instalado em diferentes pontos da embarcação — casco, bow thruster, trocadores de calor, propulsores e, em algumas situações, também nas bombas de circulação de água —, já que as incrustações não se limitam à área externa visível.

O sistema funciona em qualquer tensão elétrica (12V, 24V, 48V, 110V ou 220V), ligado diretamente à bateria da embarcação. Opcionalmente, pode-se complementar o sistema por uma placa solar para embarcações apoitadas, garantindo que ele permaneça ativo 24 horas por dia.

O sistema por ultrassom substitui a tinta anti-incrustante?

Essa é, segundo o próprio Grego, a pergunta que todo mundo faz — e a resposta é não. As duas tecnologias são complementares, não concorrentes.

A grande vantagem de usar o ultrassom em conjunto com a tinta antiincrustante está justamente em reduzir a necessidade de raspagem manual do casco, que é o processo que mais desgasta a fibra ao longo do tempo.

“”O sistema de ultrassom ajuda a proteger mais a embarcação porque dispensa o fato de ter que raspar o casco do barco” ”
– Teodoro Megalomatides

Mas atenção: instalar o equipamento e “esquecer” dele não é a estratégia correta. A manutenção recomendada é simples — uma vez por mês, passar um pano macio ou uma vassoura pelo casco para retirar o limo que se acumula, já que é nesse limo que as larvas de craca costumam se fixar antes de se desenvolverem.

E raspar o casco fora da água (nunca com a embarcação já submersa) faz toda a diferença: quanto mais raspagem em ambiente molhado, maior a proliferação de cracas ao redor.

Uma tecnologia nacional que também atua no offshore, no saneamento e na piscicultura

Um dos pontos mais interessantes da conversa foi descobrir que essa não é uma tecnologia limitada às embarcações de esporte e recreio.

A Anti-Cracas já atua há anos no mercado offshore, com contratos com Petrobras, Transpetro, CBO e Constellation. Isso é possível graças a uma versão do equipamento certificada para operar em áreas sujeitas à explosão, fruto de uma patente nacional e internacional em parceria com a Petrobras.

Segundo Grego, a empresa é hoje a única da América Latina fabricando esse tipo de equipamento para o setor de Óleo & Gás.

A aplicação dos sistemas por ultrassom da Anti-Cracas também se estende ao combate de algas e cianobactérias em estações de tratamento de água e esgoto, rios, lagos e reservatórios, que se não combatidas podem gerar sérios problemas de saúde pública.

A tecnologia já é usada por empresas de saneamento como Sabesp e Corsan, além de aplicações em piscicultura, pesqueiros, lagos ornamentais e até resorts e hotéis-fazenda. Ainda sobre a indústria de criação de peixes, o sistema atua no combate ao mexilhão-dourado, espécie invasora que compromete tanques de criação.

E, segundo estudos citados na entrevista, o ultrassom não representa risco para a fauna aquática local — pelo contrário, ao combater parasitas prejudiciais, o sistema pode até contribuir para a proteção do ecossistema.

Vale o investimento no sistema de Ultrassom da Anti-Cracas?

Para quem tem uma embarcação, a resposta passa por uma conta simples: reduzir de 20% a 30% no consumo de combustível, evitar manutenções emergenciais em bombas e motores, e preservar a estrutura do casco ao longo dos anos são ganhos que se acumulam temporada após temporada.

Em um cenário de custos operacionais cada vez mais relevantes na náutica, prevenir deixa de ser luxo e passa a ser estratégia.

Se você quer saber mais sobre a tecnologia da Anti Cracas — seja para sua embarcação ou para sua empresa — clique aqui!

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