
A ilha de Ítaca existe — e está no coração do Mar Jônico, na Grécia. Conhecida por sua ligação com Odisseu, personagem central de “A Odisseia”, a ilha reúne paisagens costeiras, pequenas baías, portos e vestígios arqueológicos que ajudam a explicar por que o destino continua despertando a curiosidade de viajantes e pesquisadores.
A história voltou aos holofotes em 2026 com o lançamento de “A Odisseia”, filme dirigido por Christopher Nolan e estrelado por Matt Damon no papel de Odisseu. A produção chegou aos cinemas em julho e adapta para as telas a famosa epopeia atribuída ao poeta grego Homero.
Mas existe uma diferença importante entre a literatura e a arqueologia: não há comprovação de que Odisseu tenha sido uma pessoa histórica ou de que tenha governado a Ítaca descrita no poema. A ilha real, porém, é há séculos associada à Ítaca de Homero e reúne sítios arqueológicos que alimentam essa relação.
Onde fica Ítaca?
Ítaca está localizada no Mar Jônico, a oeste da Grécia continental, e faz parte do arquipélago das Ilhas Jônicas.
Montanhosa e cercada pelo mar, a ilha possui diversas baías e enseadas. Entre seus pontos costeiros estão áreas como as baías de Afales, Polis e Frikes, que ajudam a explicar a importância da navegação para a história e para a identidade local.
O próprio turismo oficial de Ítaca apresenta a ilha como um destino profundamente ligado ao mar e à ideia de viagem e retorno. Para quem chega pelo litoral, a imagem de uma embarcação entrando em uma baía cercada por montanhas ajuda a entender a paisagem que se tornou parte do imaginário associado à terra de Odisseu.
Ítaca foi realmente o reino de Odisseu?
Essa é uma das grandes perguntas que acompanham a ilha.
Segundo a tradição narrada em “A Odisseia”, Odisseu era o rei de Ítaca e partiu para a Guerra de Troia. Depois do conflito, iniciou uma longa viagem de volta para casa, enfrentando tempestades, criaturas mitológicas, deuses e diferentes obstáculos pelo caminho.
A obra é uma das grandes referências da literatura ocidental, mas não pode ser utilizada como comprovação histórica da existência de Odisseu.
Ainda assim, Ítaca possui vestígios arqueológicos que mostram uma ocupação humana muito antiga. O município destaca descobertas em diferentes pontos da ilha, incluindo áreas associadas aos períodos micênico, pré-homérico e geométrico.
Arqueólogos procuram o palácio de Odisseu

Um dos lugares que mais chamam a atenção de quem se interessa pela história é o sítio arqueológico de Agios Athanasios – Escola de Homero, no norte de Ítaca.
Escavações realizadas na região encontraram estruturas de um grande complexo que remonta à Antiguidade. Pesquisadores responsáveis pelas escavações chegaram a defender a possibilidade de que o local corresponda ao palácio atribuído a Odisseu e Penélope.
A própria prefeitura de Ítaca ressalta, porém, que essa identificação permanece no campo das interpretações arqueológicas. O complexo apresenta ocupação desde períodos muito anteriores e posteriores à época tradicionalmente associada aos poemas homéricos.
O local também chama atenção pela posição estratégica. Situado em uma área elevada, o complexo possui vista para três importantes áreas portuárias da região: Afales, Polis e Frikes.
Uma ilha cercada pelo mar
Para quem viaja com interesse no universo náutico, Ítaca oferece uma perspectiva diferente da Grécia.
Em vez das grandes cidades portuárias ou dos destinos mais famosos do país, a ilha apresenta uma paisagem marcada por pequenos portos, enseadas, praias e montanhas que chegam até o litoral.
A relação com o mar também está presente na própria história de Ítaca. A população da ilha esteve ligada durante séculos ao comércio marítimo, enquanto suas características geográficas fizeram das áreas costeiras importantes pontos de conexão.
Entre os cenários que podem ser associados a essa experiência estão as águas de Afales Bay, uma das paisagens costeiras destacadas pelo turismo oficial da ilha.
Lugares ligados à história de Odisseu

Além da chamada Escola de Homero, Ítaca possui outros pontos relacionados à tradição da “Odisseia”.
Um deles é a Caverna de Loizos, localizada na região de Polis Bay. Escavações encontraram objetos que indicam que o espaço foi utilizado para práticas religiosas durante diferentes períodos da Antiguidade.
Entre os achados está uma inscrição associada ao nome de Odisseu, evidência de que o personagem já era objeto de culto na região em períodos posteriores à composição dos poemas homéricos.
Outro local associado à narrativa é Marmarospilia, conhecida como Caverna das Ninfas. Segundo a tradição, seria o lugar onde Odisseu teria escondido os presentes recebidos dos feácios durante seu retorno para Ítaca.
A caverna fica próxima ao litoral, reforçando mais uma vez a ligação entre a geografia da ilha e as histórias narradas na epopeia.
A Ítaca do filme fica na Grécia?

Apesar de a ilha grega ser a terra natal de Odisseu na história, algumas das paisagens utilizadas para representar Ítaca em “A Odisseia” foram filmadas em outros locais.
Um dos principais exemplos é Favignana, ilha italiana localizada na Sicília. A produção utilizou o Castello di Santa Caterina, uma fortaleza situada no alto da ilha, como representação do palácio de Odisseu.
O sucesso do filme já começa a movimentar o turismo em Favignana. Segundo a Reuters, autoridades locais estudam manter uma exposição relacionada à produção, com figurinos e equipamentos utilizados durante as filmagens.
Ou seja: quem quiser conhecer a “Ítaca” do universo de Nolan poderá encontrar referências tanto na ilha grega que inspirou a tradição literária quanto nos cenários italianos escolhidos para levar a história às telas.
Como é conhecer Ítaca atualmente?
Hoje, Ítaca é um destino que combina história, natureza e turismo náutico.
A ilha pode ser explorada por terra, mas também é especialmente interessante para quem chega pelo mar. Suas baías e enseadas fazem parte da paisagem e oferecem uma experiência diferente dos destinos gregos mais movimentados.
Entre praias, trilhas, vilarejos e sítios arqueológicos, o visitante encontra uma ilha muito mais tranquila do que destinos como Santorini e Mykonos.
E talvez esteja justamente aí o charme de Ítaca: navegar até uma pequena ilha do Mar Jônico e encontrar um lugar que, há milhares de anos, está ligado a uma das maiores histórias de viagem já contadas.
No fim das contas, Ítaca existe. O reino de Odisseu permanece entre o mito, a literatura e a arqueologia. E o mar que cerca a ilha continua sendo uma das melhores formas de entender por que essa paisagem se tornou tão importante para uma história construída em torno de uma longa jornada de retorno para casa.




