
Paraty é conhecida mundialmente pelo centro histórico colonial e pelas águas cristalinas da baía, mas existe um lado da região que permanece praticamente invisível para o turismo convencional. Na Ponta da Juatinga, entre paredões gigantes, praias isoladas e mar aberto, sobrevivem comunidades caiçaras que dependem totalmente da navegação para viver.
Foi para esse cenário que a equipe da CN embarcou ao lado da Família Remédios — moradores tradicionais entre a Ponta da Juatinga e a Ponta Negra — para conhecer praias que não aparecem em roteiros turísticos comuns e entender por que navegar nessa região exige experiência, leitura de mar e absoluta confiança na embarcação.
A expedição até a Ponta da Juatinga foi realizada em conjunto pela Compre Náutica, pela Kamell — representante da fabricante japonesa Tohatsu no Brasil desde 2024 — e pela Toulon Náutica, parceira da operação no litoral fluminense.
Uma viagem onde o destino só é revelado na estrada

A aventura começou ainda longe do mar. Gean Schneider saiu de Curitiba sem saber exatamente para onde iria. O roteiro estava nas mãos de João Paulo Maciel, da Toulon Náutica de Paraty, e de Leandro Bonelle, diretor da Kamell Comércio Global, distribuidora da Tohatsu no Brasil.
Somente horas depois, porém, já no caminho para o litoral fluminense, o destino foi revelado: a Ponta da Juatinga.
“Juatinga é um dos lugares que todo navegador da região teme um pouco. É um paredão gigante, vira um liquidificador — vento, ondas, muito fundo nas proximidades.”
O “liquidificador” da Juatinga desafia até navegadores experientes

O apelido dado pelos caiçaras não é exagero. O trecho entre a Ponta da Juatinga e a Ponta Negra forma um dos cenários mais agressivos da navegação costeira brasileira.
A combinação entre profundidade elevada, ventos constantes e paredões rochosos cria ondas cruzadas e correntes imprevisíveis. O mar rebate nas pedras e retorna em diferentes direções, formando um ambiente que exige reação rápida do piloto e resposta imediata da embarcação.
Nesse cenário, qualquer falha mecânica pode significar deriva contra pedras ou entrada descontrolada em áreas de arrebentação. A força do impacto é tão intensa que detritos chegam a ficar presos em fendas no alto dos paredões — evidência concreta da potência das ondas contra a costa.
Três praias sem estrada, sem ônibus e sem turismo de pacote
Além disso, na Juatinga não existem estacionamentos, vans de excursão ou infraestrutura convencional. O acesso é exclusivamente por trilha ou barco — e algumas praias praticamente só recebem visitantes acompanhados por moradores locais.
Cairuçu das Pedras exige precisão absoluta
Em Cairuçu das Pedras, a chegada já funciona como teste técnico de navegação. A embarcação precisa passar por uma abertura estreita entre rochas, com menos de dois metros em alguns pontos.
Correnteza, ondulação lateral e timing fazem toda diferença durante a manobra. Qualquer hesitação do motor pode comprometer completamente a entrada.
Sumaca exige entrar surfando a onda
Na Praia da Sumaca, o desafio muda completamente. Bancos de areia e pedras obrigam o piloto a esperar a série correta para aproveitar a força da onda e alcançar a faixa de areia no momento exato.
Nessas condições, aceleração imediata, torque consistente e resposta linear fazem diferença direta na segurança da operação. O que parece especificação técnica em catálogo, na Sumaca, é critério de sobrevivência operacional.
Martim de Sá preserva a essência caiçara
Por outro lado, mais isolada e silenciosa, Martim de Sá oferece uma experiência rara no litoral brasileiro. Sem estrada, sem sinal de celular e sem estruturas urbanas, a praia mantém um estilo de vida completamente conectado ao mar e à natureza.
O local atrai visitantes que buscam exatamente o oposto do turismo tradicional: silêncio, isolamento e contato direto com a cultura caiçara.
Sr. Maneco e a família que resistiu ao isolamento

Antes de conhecer Cláudio, Ezequiel e Ronaldo dos Remédios, é impossível não entender a história da família que ajudou a manter viva a cultura caiçara na região.
Tudo começou com o Sr. Maneco, patriarca da família, que permaneceu em Martim de Sá quando muitas outras famílias deixaram o local devido ao isolamento extremo. Sem estrada, mercado ou infraestrutura básica, a vida na Juatinga sempre dependeu da capacidade de navegar, pescar e compreender o comportamento do mar.

A piscina natural construída pela família Remédios

Foi nesse ambiente que os filhos aprenderam desde cedo a pilotar embarcações entre pedras, correntes e praias de difícil acesso.
Ezequiel e Ronaldo, ao lado do pai Pedro, também foram responsáveis pela construção da piscina natural de Cairuçu das Pedras — uma obra artesanal feita manualmente em meio às pedras do litoral. Durante a construção, um acidente custou parte do braço de Pedro. Ainda assim, a piscina foi concluída e se tornou um dos pontos mais impressionantes da região.

Motores Tohatsu viraram ferramenta de sobrevivência

Quem navegou pelas entradas de Sumaca e Cairuçu entende rapidamente que não basta ter o motor certo — ele precisa estar instalado corretamente. Ajuste de altura, alinhamento no espelho de popa e testes de mar influenciam diretamente na aceleração, estabilidade e capacidade de resposta em situações críticas.
Durante a viagem, as embarcações utilizaram motores de popa Tohatsu, fabricante japonesa reconhecida internacionalmente pela confiabilidade, leveza e operação descomplicada no dia a dia da navegação. Em regiões como a Juatinga, onde qualquer hesitação pode comprometer uma manobra entre pedras e ondas cruzadas, resposta imediata do motor deixa de ser conforto e passa a ser segurança operacional.
Fundada no Japão em 1922, a Tohatsu é uma das fabricantes de motores de popa mais tradicionais do mundo e ganhou reconhecimento internacional pela confiabilidade, eficiência e desenvolvimento de tecnologias voltadas à navegação em condições severas.
Os motores Tohatsu de 50 HP ganharam espaço entre os caiçaras da região pela combinação entre torque elevado, economia de combustível e resposta rápida. Relatos locais apontam redução significativa de consumo em comparação com motores antigos: embarcações que consumiam cerca de 25 litros passaram a utilizar aproximadamente 17 litros no mesmo trajeto.
Além disso, em áreas remotas onde o combustível chega exclusivamente por via marítima, essa diferença tem impacto direto na viabilidade da operação para turismo, pesca e transporte.
A participação da Kamell e da Toulon Náutica também reforçou a proposta da expedição: mostrar como a tecnologia náutica atual pode conviver com a tradição caiçara, oferecendo praticidade, eficiência e segurança para quem vive diretamente conectado ao mar.
Por isso, o suporte técnico especializado deixou de ser diferencial e virou parte indispensável para quem trabalha diariamente na região. Em Paraty, a Toulon Náutica atua na instalação, assistência técnica e suporte das embarcações equipadas com motores Tohatsu.

Ficar na Juatinga: o que comer, onde dormir e como chegar

Um bate-volta não é suficiente para entender a Juatinga. Quem passa uma noite na região descobre que o isolamento, longe de ser inconveniente, é a experiência em si.
A Família Remédios oferece hospedagem simples e completamente integrada à rotina caiçara: camping em Cairuçu das Pedras e quartos em Martim de Sá, ambos pé na areia, sem luxo convencional e sem sinal de celular.
Além disso, os próprios moradores organizam os roteiros — transporte de barco saindo de Paraty, passeios pelas praias e refeições preparadas na brasa.
Além da navegação, a culinária é parte central da experiência. Sororoca e cavala frescos chegam direto da pescaria para o fogão simples à beira-mar — o PF caiçara servido pelas famílias é o tipo de prato que não tem versão urbana equivalente.
A Juatinga como um dos destinos mais preservados
Por isso, a Ponta da Juatinga continua sendo um dos destinos mais preservados do litoral nacional. Ela não foi projetada para receber quem não está preparado. O mar exige respeito, as manobras exigem experiência e a natureza ainda dita as regras.
A história da Família Remédios é, no fundo, a história do que significa depender do mar de verdade — não como cenário de férias, mas como meio de vida. Visitar a Juatinga com eles é a única forma honesta de entender esse lugar.
Como chegar · Contatos
Ezequiel dos Remédios
Cairuçu das Pedras — Paraty (RJ)
(24) 99999-9893 · @ezequielcairucudaspedras
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Ronaldo dos Remédios
Cairuçu das Pedras — Paraty (RJ)
(24) 99841-0844 · @ronaldodosremedios
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Cláudio dos Remédios
24 99263-0181 · @claudio_lumar
Paulo Henrique dos Remédios
24 993051745 · @ph_martins08
Toulon Náutica — João Paulo Maciel
Paraty (RJ)
(24) 97402-0551
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Leonardo Rocha — Mecânico especializado
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