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Iate a vapor de 1901 é restaurado e vira peça de museu na Turquia

Considerado o último exemplar americano de sua categoria, o Cangarda passou por restauração minuciosa e agora integra o acervo de um museu em Istambul.

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Iate a vapor construído em 1901, o Cangarda foi restaurado após décadas de abandono e um naufrágio, tornando-se peça de museu em Istambul. Considerado o último exemplar americano de sua categoria, o barco histórico passou por um minucioso processo de restauração que preservou suas características originais, incluindo o sistema de propulsão a vapor, reforçando a importância da preservação do patrimônio marítimo.

Uma embarcação centenária acaba de ganhar uma segunda vida após processo minucioso de restauração. O Cangarda, iate a vapor construído em 1901 nos Estados Unidos, foi completamente reformado e agora integra o acervo permanente do Museu Rahmi Koc, em Istambul, na Turquia. A embarcação é considerada o único exemplar americano da categoria ainda existente no mundo.

Com 42 metros de comprimento, o iate representa um marco da engenharia naval do início do século 20. Sua trajetória inclui passagens por diversos proprietários, participação na Segunda Guerra Mundial e até um naufrágio que quase encerrou sua história de forma definitiva.

Detalhe da proa do iate a vapor Cangarda com acabamentos restaurados e estrutura clássica
Foto: RMK Yachts/Divulgação

Da era dourada à beira do desaparecimento

Iate a vapor Cangarda em estaleiro durante processo de restauração com casco exposto
Foto: RMK Yachts/Divulgação

Entregue originalmente ao empresário Charles Canfield pelo estaleiro Pusey & Jones, o Cangarda nasceu durante o auge da navegação a vapor de luxo. O projeto de H.C. Wintringham apresentava características típicas da época: silhueta clássica, dois mastros imponentes e sistema de propulsão a vapor que representava o que havia de mais avançado em tecnologia náutica.

Durante seus 125 anos de existência, a embarcação serviu a múltiplos propósitos. Recebeu líderes mundiais a bordo, funcionou como navio-escola para a Marinha Real Canadense durante a Segunda Guerra e passou por sucessivas mudanças de propriedade. Segundo o museu turco, restam apenas três navios semelhantes em todo o mundo.

O ponto mais crítico da história do Cangarda ocorreu em 1999, quando afundou lentamente em seu próprio cais devido ao abandono e falta de manutenção. A embarcação permaneceu submersa por aproximadamente um ano e meio, em estado de deterioração avançada.

 

 

Resgate e primeira grande restauração

Iate a vapor Cangarda restaurado navegando no Bósforo com paisagem urbana de Istambul ao fundo
Foto: RMK Yachts/Divulgação

O trabalho de resgate exigiu técnicas especializadas. Equipes de salvatagem marítima conduziram o processo de forma gradual, permitindo que o casco retornasse à flutuação natural sem comprometer ainda mais sua estrutura já fragilizada. O método evitou estresse estrutural adicional que poderia ter destruído a embarcação definitivamente.

Em 2002, o Dr. Robert McNeil adquiriu o iate com o objetivo específico de restaurá-lo. Dois anos depois, a Rutherford’s Boat Shop, na Califórnia, iniciou um projeto completo de reconstrução que se estendeu até 2009. Essa intervenção devolveu ao Cangarda condições de navegabilidade e preservou suas características históricas fundamentais.

Restauração na Turquia

Iate a vapor histórico Cangarda sendo transportado por guindaste em navio de carga durante processo de restauração
Foto: RMK Yachts/Divulgação

A fase mais recente da vida do iate começou em 2024, quando o empresário turco Rahmi M. Koc adquiriu a embarcação para integrá-la ao acervo de seu museu náutico. O estaleiro RMK Yachts, de Istambul, assumiu a responsabilidade pela restauração final, concluída em 2026.

Segundo Cunyet Okcu, diretor do estaleiro, a filosofia do projeto sempre foi clara: ‘Desde o início, não encaramos o Cangarda como um projeto de reforma, mas como uma responsabilidade com o patrimônio marítimo global’. A abordagem priorizou a conservação em vez da modernização.

Todos os acessórios de latão e bronze originais foram meticulosamente preservados. Os espaços interiores mantiveram móveis, materiais, acabamentos e arranjos da época de construção, tratados como documentos históricos vivos. Intervenções foram limitadas ao estritamente necessário para segurança e funcionalidade.

Tecnologia a vapor preservada

Um dos aspectos mais delicados da restauração envolveu o sistema de propulsão a vapor. O estaleiro consultou especialistas internacionais em engenharia naval do século 20 para garantir que a configuração original fosse mantida. Componentes selecionados foram reconstruídos apenas quando necessário para atender padrões contemporâneos de segurança operacional.

Além do sistema de propulsão, a embarcação recebeu renovação mecânica completa, atualização em equipamentos de mastreação e convés, e modernização dos sistemas de segurança. Todas as intervenções seguiram critérios de conservação de nível museológico, equilibrando autenticidade histórica com requisitos técnicos atuais.

Após testes bem-sucedidos nas águas turcas, o Cangarda foi oficialmente incorporado ao acervo do museu. A história da embarcação será tema de documentário previsto para lançamento ainda em 2026, registrando sua trajetória desde a construção até a preservação como patrimônio marítimo.

 

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