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Refit: vale a pena reformar a sua embarcação?

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Vale a pena reformar sua embarcação? Descubra na matéria com a arquiteta Keity Ciccacio.

A escolha de reformar a sua embarcação no lugar de adquirir uma nova tem ganhado força nos últimos anos, especialmente com profissionais que se atentam em promover um olhar singular para cada cliente durante esse processo. É o caso da arquiteta Keity Ciccacio, que desenvolve e acompanha obras há mais de 20 anos no segmento náutico. O início da sua trajetória foi na arquitetura civil, mas logo percebeu a paixão pela área no mercado náutico.

Hoje ela está prestes a alcançar 150 embarcações com obras de construção e reformas completas. Um número que impressiona e que reflete o olhar daquela menina e jovem que sempre possuiu um singelo contato com o mundo náutico, influenciada pela sua família.

Atualmente ela lidera uma equipe na Step On Board, escritório de arquitetura náutica. “Nosso time tem capacidade de desenvolver projetos exclusivos, com diferenciais que só pessoas com muita experiência conseguem fazer. Temos o engenheiro Francisco Raposo em nosso time, que tem mais de 40 anos de experiência em construção e reforma de embarcações, por exemplo”, exalta Keity. O atendimento na empresa envolve o projeto de interior da embarcação que pode ser desenvolvido desde a distribuição dos ambientes nos espaços disponíveis dentro do casco e até a decoração e entrega para o uso com tudo organizado.

Segundo Keity, os diferenciais que ela e sua equipe proporcionam aos seus clientes são vários, desde o aproveitamento dos espaços, compreensão de seus variados usos e soluções inteligentes para trazer novas experiências aos navegantes. “Essas qualidades são aplicadas em todas as etapas do projeto. Fazem grande diferença dentro de uma embarcação, por exemplo, quando as louças são organizadas e distribuídas em armários estrategicamente pensados para otimizar o trabalho da tripulação, assim é possível atender às necessidades dos usuários e superar a expectativa de todos a bordo”, ressaltou a arquiteta.

A paixão começou desde a infância ao lado da sua família que sempre possuiu embarcações, lanchas em represas e veleiro em mar. Além disso, Keity recorda com carinho do mar de Angra dos Reis com a vela. Ao lado disso tudo, a curiosidade sempre despertou um sentimento único na arquiteta. Barcos de diferentes tamanhos, com soluções de layout e transformação de espaço. Cada detalhe instigava o olhar crítico, curioso e criativo da profissional.

“O meu aprendizado da área da arquitetura civil para a parte da náutica, começou quando comecei a atuar no mercado como estagiária e logo depois sozinha no segmento. Após um tempo, tive a oportunidade de juntar mais pessoas comigo e ter o escritório”, compartilhou.

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Refit – termo utilizado para reformar a casa a bordo

Sobre o termo utilizado ao realizar grandes reformas na embarcação, de acordo Keity, ele voltou à tona por questão de o mercado não atender devido a valores altos e muitas vezes prazos longos de entrega, o que ocasionou a procura por reformas de embarcação para muitas pessoas. “Comprar um barco zero pode estar fora do alcance, no momento, por algumas razões. Reformar, pode ser a solução em alguns casos, como quando você quer um barco maior com custo menor, quando o custo da troca fica muito maior que o do refit, quando o armador gosta um determinado casco e vê o potencial em investir nele para fazer as melhorias que gostaria”, enfatizou Keity.

Para Michel Viana, advogado tributarista e empresário, o processo de refit aconteceu para deixar a sua embarcação mais com os seus gostos. O profissional de Belém (PA), está em seu sétimo barco e sempre foi apaixonado pela navegação. Começou em uma alternativa de 17 pés e hoje navega nas águas de Angra dos Reis em uma Azimut 64. O processo de refit do seu barco atual durou cinco meses.

“Eu sempre gostei de comprar barcos com potencial para uma boa reforma – deixar mais com a minha cara. E foi exatamente isso que aconteceu com a Rainha. Quando comprei o barco era excelente e estava pronto para navegar, mas eu queria deixá-lo ainda melhor nos mínimos detalhes. Sempre que posso, troco de barco por um maior e procuro profissionais competentes para me auxiliarem no refit”, compartilhou o advogado.

Outra questão importante avaliada pelo profissional foi o valor. “Barco zero está muito caro – não que o seminovo também não esteja (risos), mas eu tinha uma Intermarine 54 e queria um barco entre 60 a 70 pés. Nessa categoria os valores das embarcações zero já sobem demais. Por isso, acabei comprando um barco que para mim é enorme e seminovo para que em 5 meses eu o deixasse zero”, concluiu Michel.

 

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Etapas para a reforma

De acordo com Keity, muitas pessoas tiveram experiências ruins em relação a reforma ou conhecem pessoas que tiveram – até mesmo de casas –  e possuem certa oposição a tal atitude. Por isso, é necessário avaliar diversas etapas antes de iniciar uma reforma de fato. O primeiro passo seria a realização de um levantamento de como está o barco, além de todos os sistemas como elétrico, hidráulico, mecânico e até mesmo a parte de marcenaria para toda a equipe se atentar em vestígios de cupim, infiltrações, entre outros. 

Após levantar cada detalhe da embarcação, é necessário fazer um escopo de todas as alterações que o cliente possui como expectativa para o barco. “O que tem vontade de mudar, o que tem vontade de melhorar e é a partir deste levantamento, desse escopo, que iremos entender a necessidade. A partir dessa organização que vai começar a buscar orçamentos”, explicou a arquiteta. Ela também ressalta a importância de se organizar previamente e esclarecer expectativas para não ocorrer imprevistos orçamentários ao longo da obra.

O próximo passo é a formação das equipes que estarão dentro do barco. “Nós trabalhamos dentro de um espaço muito pequeno onde todos os serviços praticamente são interligados. Qualquer coisa que nós vamos fazer estará influenciando no serviço de outra pessoa, de outra área. A marcenaria vai influenciar na hidráulica, que vai influenciar na elétrica e que vai influenciar na tapeçaria, por exemplo”, exemplificou Keity.

Ela demonstra o mesmo espaço de uma casa para o de uma embarcação. A complexidade tanto da parte de serviço e execução é muito maior e não é possível pensar de forma isolada. Segundo ela, às vezes é necessário pensar no barco inteiro para resolver um pequeno canto dele.

O próximo passo abordado pela arquitetura é um dos mais importantes, segundo ela. A segurança no momento da reforma precisa ter uma atenção minuciosa. É necessário ter cuidado máximo com cada detalhe da reforma, especialmente quando ela envolve prazos curtos e obras em um tempo acelerado. Outro ponto importante é a navegação no barco. Quando a reforma realiza a alteração do barco, do interior e do seu projeto original em si, Keity destaca a importância da presença de um engenheiro naval no processo. O escritório é responsável pelo design e pela arquitetura, já o engenheiro naval envolve questões técnicas essenciais para garantir mais segurança neste processo.

 

São muitos detalhes que envolvem a reforma de uma embarcação, mas sem amor pela profissão nada daria tão certo. Keity Ciccacio conseguiu transparecer em cada segundo de entrevista o amor que transborda quando comenta da sua profissão e o quanto tem sorte em fazer isso diariamente. Segundo ela, cada etapa do processo é de um prazer imenso prazer, mas a comemoração de verdade não chega no contrato assinado e sim na reforma entregue da forma que o cliente sonhou. Essa sensação que se torna gratificante para a arquiteta e sua equipe.

“Quando fechamos o contrato é a oportunidade de mostrar para mais pessoas todo o nosso potencial e cada etapa é um desafio para desenvolvermos algo ainda mais especial para os nossos clientes”, exaltou Keity. Ela também reforça que a obra não é apenas felicidade, se pudesse descrever com uma palavra seria ‘desafio’. De acordo com ela, é muito estresse e situações controversas que precisam ser resolvidas da melhor forma possível. Entretanto, cada obstáculo é válido e recompensador ao entregar o sonho de um cliente e colecionar sorrisos de cada um que possui sua embarcação reformada.

 

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