A Reforma Tributária de 2023, recentemente aprovada pelo Câmara dos Deputados, traz consigo uma série de mudanças significativas para diferentes setores da economia brasileira. Um dos segmentos que será diretamente afetado por essas alterações é o mercado náutico. Neste artigo, você vai ficar por dentro das principais mudanças trazidas pela reforma.

Qual será a principal mudança para o setor náutico?
A principal mudança da reforma tributária para o setor náutico será a respeito da instituição do IPVA para embarcações e jet skis. Entretanto, as incertezas persistem quanto aos detalhes dessa cobrança, carecendo de regulamentação específica. “A falta de clareza sobre as alíquotas, que podem variar entre 0,5%, 1% e 1,5%, e os critérios utilizados, como o valor da embarcação, a motorização, a quantidade de HP’s e até o valor do seguro, tornam o cenário ainda obscuro para os contribuintes do setor náutico”, afirma o advogado especializado em direito tributário, Michel Viana.
Ele ainda enfatiza a importância, diante deste contexto, da participação de profissionais do segmento no debate legislativo, como a Acobar (Associação Brasileira de Construtores de Barcos e seus Implementos) e outras entidades náuticas, a fim de evitar um resultado caótico, com alíquotas excessivas que impactem negativamente os consumidores e levem à retração do mercado. Segundo ele, o IPVA alto pode representar uma barreira para os compradores de embarcações, podendo influenciar sua decisão de adquirir barcos de maior valor. Portanto, é crucial agir com cautela para que a discussão resulte em uma solução equilibrada, evitando o surgimento de um impasse tributário significativo e que prejudique o setor náutico como um todo.
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Pontos positivos e negativos
Quanto aos pontos positivos da mudança, Viana destacou a correção de uma distorção na Constituição relacionada à cobrança do IPVA para veículos náuticos, equiparando-os aos demais veículos automotores que já pagam esse imposto. Por outro lado, o advogado alertou que, dependendo das alíquotas e critérios adotados, o mercado náutico pode sentir impactos negativos, levando alguns consumidores a reavaliarem a compra de embarcações devido ao aumento dos custos operacionais.

Exceções à cobrança do IPVA
Na Reforma Tributária de 2023, foram estabelecidas algumas exceções à cobrança do IPVA para embarcações. Dentre elas, destacam-se a isenção para barcos de pesca artesanal e industrial, que têm uma relevância econômica e social específica. Além disso, as plataformas de petróleo, fundamentais para a exploração e produção de recursos naturais, também estarão isentas desse imposto.
Outra exceção prevista na reforma é a isenção do IPVA para embarcações de transporte de passageiros, como balsas e barcos que realizam travessias e deslocamentos para o interior dos estados. Essa medida visa garantir a continuidade e o bom funcionamento desses serviços de transporte essenciais para a população.
Essas isenções são importantes para garantir que certas atividades e setores essenciais não sejam prejudicados por novos encargos tributários, permitindo que continuem desempenhando seu papel na economia do país. No entanto, as demais embarcações, que não se enquadrem nessas exceções, estarão sujeitas à cobrança do IPVA, cujas alíquotas e critérios específicos ainda serão definidos em leis complementares.

Para compreender melhor a abrangência e os detalhes da reforma tributária no setor náutico, Viana ressaltou a importância de acompanhar de perto as leis complementares que serão criadas para regulamentar a cobrança do IPVA e outros pontos específicos da reforma. Isso permitirá que os empresários e consumidores do ramo náutico se adaptem às mudanças e compreendam melhor os impactos reais no mercado. “É um imposto como outro qualquer. Nós precisamos nos adaptar a ele, entender ele, saber e se conformar. ”, enfatizou Michel.
Por fim, Michel Viana alertou sobre a possibilidade de judicialização caso critérios específicos para a cobrança do IPVA não sejam adequados para determinadas embarcações. Ele mencionou que um critério importante será o ambiental, onde barcos mais poluentes poderão pagar alíquotas mais altas, fomentando a ideia de um "IPVA verde".
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