
Todos os anos, durante o inverno no Alasca, centenas de pescadores enfrentam condições extremas no Mar de Bering para capturar uma das espécies mais valorizadas do mercado internacional: o caranguejo-real e o caranguejo-da-neve.
A atividade é considerada uma das profissões mais perigosas do mundo. Ondas gigantes, temperaturas próximas de zero, gelo acumulado nos barcos e jornadas exaustivas fazem parte da rotina das tripulações que trabalham nessa temporada intensa de pesca.

A atividade ganhou visibilidade mundial com o reality Deadliest Catch, conhecido no Brasil como Pesca Mortal, que acompanha embarcações reais durante as operações no Mar de Bering. No final de fevereiro deste ano, um dos marinheiros que participavam das gravações da nova temporada morreu durante as operações de pesca, reforçando os riscos envolvidos nesse trabalho. A vítima foi Todd Meadows, integrante da tripulação do barco Aleutian Lady. Segundo informações divulgadas pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, Meadows caiu no mar durante as atividades de pesca no Mar de Bering e chegou a ser resgatado pelos colegas, que tentaram reanimá-lo ainda a bordo, mas ele não resistiu.
Temporada curta e trabalho intenso no inverno do Alasca
A temporada de pesca do caranguejo no Alasca dura apenas algumas semanas por ano. Nesse curto período, as tripulações trabalham praticamente sem parar. Não é incomum que os pescadores enfrentem turnos de até 18 ou 20 horas seguidas, aproveitando ao máximo as condições de pesca.
Apesar das dificuldades e dos riscos, os ganhos podem ser altos. Em poucos dias, uma tripulação pode faturar o equivalente a meses de trabalho em outras atividades. Como os tripulantes recebem uma porcentagem do valor total da captura, muitos pescadores conseguem ganhar entre US$ 30 mil e mais de US$ 100 mil em uma única temporada.

Todos os anos, durante o inverno no Alasca, centenas de pescadores enfrentam condições extremas no Mar de Bering para capturar uma das espécies mais valorizadas do mercado internacional: o caranguejo-real e o caranguejo-da-neve.
A atividade é considerada uma das profissões mais perigosas do mundo. Ondas gigantes, temperaturas próximas de zero, gelo acumulado nos barcos e jornadas exaustivas fazem parte da rotina das tripulações que trabalham nessa temporada intensa de pesca.
Armadilhas de até 360 quilos são lançadas no fundo do mar
A captura dos caranguejos é feita com grandes armadilhas metálicas, que podem pesar entre 270 e 360 quilos. Essas estruturas são lançadas ao fundo do mar com pedaços de peixe utilizados como isca. A profundidade pode chegar a 600 metros, dependendo da espécie de caranguejo. Os crustáceos são atraídos pelo cheiro da isca, entram na armadilha e não conseguem mais sair. Cada embarcação pode operar entre 150 e 300 armadilhas durante a temporada. Após cerca de dois dias no fundo do mar, elas são puxadas de volta ao convés com a ajuda de grandes guindastes hidráulicos.
Ondas gigantes e gelo no barco aumentam os riscos da pesca

Além do peso das armadilhas e das jornadas exaustivas, as tripulações também enfrentam condições climáticas extremas. As ondas no Mar de Bering podem ultrapassar vários metros de altura e, em tempestades mais fortes, chegam a varrer o convés das embarcações.
Outro perigo é o acúmulo de gelo no barco. Quando a água do mar atinge o casco em temperaturas muito baixas, ela congela rapidamente, aumentando o peso da embarcação e podendo afetar seu equilíbrio.
Em alguns casos, pescadores podem ser atingidos por ondas e cair no mar gelado, onde o risco de hipotermia é imediato.
Desaparecimento de bilhões de caranguejos preocupou autoridades

Nos últimos anos, outro fenômeno chamou a atenção de cientistas e autoridades da pesca. Em 2022, o conselho responsável pela gestão pesqueira no Alasca anunciou a proibição da captura de uma espécie específica: o snow crab, conhecido como caranguejo-da-neve. A medida foi tomada após pesquisadores identificarem o desaparecimento de bilhões desses crustáceos nas águas do Mar de Bering.
Estudos apontam que o fenômeno pode estar relacionado tanto à sobrepesca quanto às mudanças climáticas, que vêm alterando as temperaturas do oceano e o equilíbrio do ecossistema marinho na região.
Posteriormente, as regras foram ajustadas, mas o episódio acendeu um alerta sobre o futuro da pesca na região.





