A Marinha do Brasil confirmou, nesta quarta-feira (27), que encontrou a lancha que naufragou no último fim de semana em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo. A embarcação foi identificada próximo à Praia da Baleia, em São Sebastião, a cerca de 11 quilômetros da costa, após ser avistada por uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB).
Segundo as autoridades, nenhum corpo foi encontrado junto à lancha. No entanto, as equipes continuam as buscas pelo último tripulante desaparecido.
Vítimas identificadas
Três pessoas da mesma família estavam a bordo da lancha de 21 pés, chamada “Jany”:
- Bruno Silva Dias, médico veterinário;
- Lucídio Francisco Dias, pai de Bruno;
- Maria Aparecida da Silva Dias, mãe de Bruno.
Dois corpos já foram localizados durante as buscas. O primeiro, de Maria Aparecida, foi retirado do mar na região da Barra do Sahy, em São Sebastião. O segundo foi avistado nesta quarta-feira (27), nas proximidades da Ilha das Palmas, no Guarujá, e ainda passará por perícia para confirmação de identidade.
Como aconteceu o naufrágio
O acidente ocorreu no sábado (23), quando o Corpo de Bombeiros Marítimo (GBMar) foi acionado após o pedido de socorro de um dos tripulantes. O último sinal da embarcação foi registrado a aproximadamente 25 quilômetros da costa de Itanhaém, perto da Ilha da Queimada Grande — mais conhecida como Ilha das Cobras.
O local é uma área de proteção ambiental administrada pelo ICMBio e famoso por abrigar a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), considerada uma das serpentes mais venenosas do planeta. Por ser de difícil acesso e não possuir praias, a navegação nas proximidades é restrita.
Operação de resgate
As buscas seguem sendo realizadas pela Marinha, em parceria com o Grupamento de Bombeiros Marítimo e a Força Aérea Brasileira. Navios-patrulha, helicópteros e aviões estão sendo utilizados na operação para localizar o terceiro ocupante da lancha.
Enquanto a investigação sobre as causas do naufrágio continua, as equipes reforçam que a região é considerada perigosa para navegação, especialmente em condições de mau tempo.
Segurança na água
A tragédia acende um alerta e reforça a importância de cuidados essenciais para quem navega. Algumas práticas recomendadas incluem:
- Uso de coletes salva-vidas;
- Planejamento da viagem, considerando condições climáticas, marés e limites de navegação;
- Comunicação constante, com rádio, celular ou sistemas de rastreamento;
- Respeito a áreas restritas, que exigem autorização específica para acesso;
- Capacitação dos tripulantes, incluindo noções básicas de primeiros socorros e operação da embarcação.
Saiba como é a Ilha da Queimada Grande
A Ilha da Queimada Grande, localizada entre Itanhaém e Peruíbe, é oficialmente uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) sob gestão do ICMBio. Popularmente chamada de Ilha das Cobras, ela ganhou esse nome pela enorme concentração de serpentes, especialmente a jararaca-ilhoa, espécie endêmica e classificada como criticamente ameaçada de extinção.
O isolamento geográfico fez com que essa cobra desenvolvesse características únicas: para suprir a falta de roedores, sua dieta passou a ser baseada em aves migratórias, o que levou à evolução de um veneno até cinco vezes mais potente que o da jararaca continental. Essa adaptação garantiu sua sobrevivência, mas também fez da ilha um local de alto risco para visitantes.
O acesso é restrito e só permitido a pesquisadores com autorização do ICMBio, sendo necessário uso de equipamentos de manejo especializados, como pinças e tubos de contenção. Além das serpentes, o ecossistema da ilha abriga lagartos, aranhas, insetos e aves, como o atobá.
Por sua importância biológica, a ilha é considerada um “laboratório natural” para estudos de evolução e conservação, recebendo projetos de instituições como o Instituto Butantan. Entretanto, sofre ameaças como a biopirataria, voltada principalmente para o tráfico da jararaca-ilhoa, cujo veneno tem potencial farmacêutico.





