Matéria divulgada na 6ª edição da Revista Digital 'A Arte de Navegar' em 2022.

Estar no mar nunca foi um sacrifício para o velejador Felipe Martins. Nascido em Nova Iguaçu na Baixada Fluminense, ele costumava passar todas as férias em Cabo Frio e a diversão era estar no mar, surfar, mergulhar, pular das pedras, nadar e brincar. “Nosso quintal era realmente o mar, nós começamos desde pequenos a sair para mergulhar, por exemplo, então sempre tive esse contato muito forte – com 11 anos eu já surfava e era uma paixão minha”, contou.
Vegetariano desde os quatro anos de idade, Felipe mora hoje em Angra dos Reis (RJ) e carrega os traços de determinação e coragem daquele menino que brincava no mar ainda sem saber como ele faria parte da sua vida décadas depois. Quando decidiu velejar, essa determinação foi responsável por construir sua trajetória com a vela.

Sua história com a vela começou há cerca de oito anos atrás quando surfava com um amigo. Eles conversavam e seu amigo comentou como seria interessante dormir no mar e engrenou o assunto sobre veleiros. Não demorou muito para a conversa fluir e Felipe descobrir que não era tão difícil adquirir um veleiro e que aquilo estava ao seu alcance. Foi então que o velejador decidiu pesquisar mais sobre o assunto na internet e se apaixonou pela possibilidade de ter um veleiro.
Após esse contato, Felipe decidiu fazer um curso de vela que tinha perto de sua casa na época. Nele, o velejador teve a certeza de que queria fazer isso para o resto da vida. “Me ofereci para trabalhar de graça, ajudar nas redes sociais e com os alunos. Permaneci lá por um ano e meio para ganhar experiência até comprar meu barco – o Hulk – e começar a ter mais experiência e a aproveitar um pouco mais pela Ilha Grande”, disse.

Quando Felipe tomou a decisão de viver de vela, ele guardou um dinheiro para a compra do veleiro e também para viver por um período até se organizar. O Hulk é um Microtonner 19 que passou por uma reforma após a compra.
Vídeo sobre esse processo de reforma:
Quando questionado sobre o lugar mais interessante que velejou, ele reforça a dificuldade de citar apenas um, mas relembra de uma oportunidade que teve que sempre guardará na memória. A convite de um casal de amigos, Diego e Georgia do Unforgettable Sailing, ele pôde participar de um programa no canal off no Panamá. Junto a eles, o programa também teve a presença do surfista duas vezes campeão mundial de longboard – Phil Rajzman. Essa experiência proporcionou que ele vivesse experiências únicas e conhecesse lugares maravilhosos, segundo ele.
Velejar Brasil
Ele compartilhou que quando começou a trabalhar com o Velejar Brasil não tinha muita pretensão que fosse dar certo, apesar de já ter tido experiência profissional com redes sociais anteriormente. O objetivo era mostrar toda a sua felicidade com a vela e proporcionar que o máximo de pessoas pudessem ter acesso a informações de qualidade sobre o assunto. Como o Velejar Brasil cresceu rápido, ele logo recebeu apoio e convites para participar de regatas e outros eventos, além de mostrar seu estilo de vida. Com uma proposta diferente de quando começou, hoje a ‘Velejar Brasil’ tenta fazer com que as pessoas que não tenham um barco também tenham a oportunidade de velejar, além de divulgar oportunidades de vela no Brasil. “Quero mostrar que você não precisa ser profissional, não precisa ter nascido no mar ou ter pai velejador para velejar, porque a vela é para todo mundo e para a vida toda”, enfatizou Felipe.
Hoje em dia, Felipe segue firme engajado na facilidade de acesso da vela para as pessoas, especialmente para mostrar o potencial incrível que o Brasil possui devido a extensa costa. “Eu também tenho ajudado projetos sociais, a escola social náutica de Ilha Grande que inclusive terá em novembro a segunda etapa da copa da Ilha Grande. É através desses projetos que vamos dando oportunidade para as pessoas não só velejar como ter uma profissão e poder trabalhar com a náutica”, ressaltou.

“Velejar é muito mais do que subir as velas, é a possibilidade de você realizar seus sonhos, de ir a lugares que você sempre sonhou”
“Ninguém precisa ser um lobo do mar para ser um velejador, você pode ter um barco dentro da baía de Angra, você pode participar de regatas, você pode fazer churrasco ou até mesmo você pode ficar consertando o seu barco no píer, mas a vela é para todo mundo. Velejar é bom demais para ser privilégio de poucos”, concluiu Felipe.
O ADEUS
No dia 1º de março de 2025, Felipe Martins, faleceu após um infarto em sua casa em Angra dos Reis. Mesmo após sua partida, a sua relevância na Vela continua intacta e sempre será lembrada com muito carinho e admiração por todos. Descanse em paz, Lipe!






