
A presença de visitantes da América Latina no Discover Boating® Miami International Boat Show deixou de ser apenas expressiva para se tornar estratégica. Segundo Andrew Doole, presidente da U.S. Boat Shows, da Informa Markets, o crescimento consistente do público latino-americano nos últimos anos vem acompanhado de uma mudança clara de perfil: menos visitação aspiracional e mais foco em negócios, investimentos e tomada de decisão.
“O que observamos hoje é um público muito mais qualificado, interessado em aquisição de embarcações, representação de marcas e investimentos no setor”, afirma Doole. Para ele, a proximidade geográfica de Miami, aliada à forte conectividade aérea com países da América Latina e ao posicionamento da cidade como polo global da indústria náutica, ajuda a explicar esse movimento.
Dentro desse cenário, o Brasil se destaca como um dos principais mercados emissores de visitantes internacionais. Na edição de 2025 do evento, o país respondeu por 8,57% do público estrangeiro, consolidando-se como um dos protagonistas da região ao lado de México, Caribe, Argentina e Colômbia.
Novo perfil, novas decisões

A evolução do público latino-americano também tem impacto direto no planejamento dos expositores. Estaleiros e marcas globais passaram a enxergar o Miami Boat Show não apenas como uma vitrine internacional, mas como um espaço central para fortalecer relações comerciais com distribuidores da região e apresentar soluções alinhadas às demandas desses mercados.
“Esse público é estratégico não só pelo potencial de compra, mas por funcionar como uma ponte para outros mercados regionais”, explica Doole. Segundo ele, muitas marcas utilizam o evento como plataforma para negociações, lançamentos e consolidação de parcerias voltadas especificamente à América Latina.
Miami como centro de convergência

Historicamente reconhecida como elo entre a indústria náutica global e os mercados latino-americanos, Miami teve esse papel reforçado nos últimos anos. De acordo com o presidente do evento, a cidade deixou de ser apenas um ponto de entrada para se tornar um verdadeiro centro de convergência estratégica.
“Hoje, Miami é onde decisões comerciais, parcerias e investimentos são discutidos e executados, refletindo a maturidade crescente dos mercados latino-americanos dentro da indústria náutica global”, afirma.
Essa leitura influenciou diretamente o novo formato do Miami Boat Show a partir de 2026. A reorganização do evento em polos mais claros e complementares foi pensada para tornar a experiência mais fluida para visitantes internacionais, permitindo melhor aproveitamento do tempo entre negócios, networking e vivência do lifestyle náutico.
América Latina como mercado, não apenas público
Para Doole, a América Latina deixou definitivamente de ser vista apenas como um público visitante. “É um mercado com potencial crescente de compradores, empreendedores e investidores, cada vez mais informados e atentos às tendências globais”, diz.
A expectativa é que esse protagonismo resulte, nos próximos anos, em ações ainda mais direcionadas à região, com iniciativas que facilitem a geração de negócios transfronteiriços e aprofundem o relacionamento entre a indústria global e os mercados latino-americanos.
“O movimento é intencional e sustentável. Queremos fortalecer relações de longo prazo e posicionar o Miami Boat Show como a principal plataforma de conexão entre a indústria náutica global e a América Latina”, conclui.





