A Rio Ocean Week 2025 terminou neste domingo (26) com uma mensagem de urgência e esperança pela preservação dos mares. Realizado ao longo da semana no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, o evento reuniu mais de oito mil pessoas em uma programação que uniu arte, ciência, cultura e ativismo em prol do oceano.
O destaque do último dia foi a exibição do documentário “Watson”, que retrata a trajetória do ativista Paul Watson, cofundador do Greenpeace e fundador da Sea Shepherd, uma das maiores organizações do mundo dedicadas à defesa da vida marinha.
Watson não conseguiu comparecer ao evento devido a um imprevisto logístico, mas enviou uma mensagem em vídeo, exibida durante o encerramento. Nela, o ativista fez um alerta contundente sobre os impactos da pesca predatória do krill na Antártida e defendeu uma ação global urgente para frear a exploração excessiva dos recursos marinhos.
“Nosso oceano está morrendo. Há uma diminuição generalizada de todas as espécies (…). Estamos retirando 650 mil toneladas métricas de krill do Oceano Antártico, ultrapassando as cotas anuais sem consequências legais. Isso significa menos alimento para baleias, pinguins, peixes e aves. Precisamos agir agora”, afirmou Watson, citando o Tratado do Alto-Mar sobre biodiversidade marinha, que entra em vigor em fevereiro de 2026.
Após a exibição do filme, a jornalista Sonia Bridi conduziu uma conversa com Nathalie Gil, presidente da Sea Shepherd Brasil, que destacou as ações da organização no país, como a proteção dos botos da Amazônia e dos tubarões brasileiros.
“O oceano regula o clima, produz o oxigênio que respiramos e abriga uma diversidade essencial à vida. Ainda tratamos o mar como depósito do que não queremos ver e como um supermercado inesgotável. Sem um oceano saudável, não há vida possível na Terra”, declarou Nathalie.
O professor Alexander Turra, coordenador da Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, reforçou a importância de transformar a consciência em ação: “A fala de Watson sintetiza o espírito da Rio Ocean Week. Precisamos colocar o oceano no centro das decisões políticas, econômicas e sociais — o futuro do planeta depende disso.”
Cultura e engajamento até o último dia
Além dos debates, o domingo foi marcado por atividades culturais e educativas. A série “Gente do Mar” apresentou histórias inspiradoras de pessoas ligadas ao oceano, entre elas a atleta Thais Sant’Ana, o Almirante Ilques, o ambientalista Marcelo Ottoni, a bióloga Luiza Perin e a mergulhadora Karol Meyer.
O Cinema Comentado exibiu produções sobre biodiversidade marinha e pesca sustentável, enquanto exposições e atividades no Cais do Porto e na Arena mantiveram o público engajado até o fim da tarde. O encerramento ficou por conta do cortejo do projeto Girô, que levou música e dança da cultura popular até a Praça Mauá, encerrando a semana em clima de celebração e esperança.
Manifesto pelo Futuro do Oceano
Durante o evento, a Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, vinculada à USP, lançou o Manifesto pelo Futuro do Oceano — um chamado global para que a pauta oceânica tenha protagonismo nas decisões climáticas, especialmente na COP30, que será realizada em Belém (PA).
“Mais do que palavras, o manifesto é um instrumento de pressão democrática. É a sociedade dizendo, em uma só voz: proteger o oceano é proteger a vida”, destacou Turra.
Painéis e debates estão disponíveis no canal da Cátedra UNESCO no YouTube.
Sobre a Rio Ocean Week 2025
Realizada de 22 a 26 de outubro, no Museu do Amanhã, a Rio Ocean Week faz parte da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030) e é promovido pela Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, sediada na USP, em parceria com a MídiaMar Comunicação.
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