O avanço do mar durante a madrugada desta terça-feira (7) voltou a causar estragos na Praia dos Ingleses, no Norte de Florianópolis. Ondas fortes atingiram casas e estruturas à beira-mar, derrubaram muros e postes e causaram prejuízos em pelo menos 12 propriedades. O episódio reacendeu o debate sobre a eficácia das obras de alargamento da faixa de areia, concluídas há pouco mais de um ano.
O que aconteceu
Segundo a Defesa Civil municipal, o mar avançou cerca de três metros entre a noite de segunda (6) e as primeiras horas desta terça. O trecho mais afetado, com cerca de 300 metros de extensão, teve parte da areia levada pela ressaca. A prefeitura notificou moradores para que retirassem entulhos e destroços da areia e anunciou reparos nos postes danificados.
Um problema antigo
O avanço do mar na Praia dos Ingleses não é um fenômeno novo. Há mais de uma década, moradores relatam prejuízos recorrentes causados por ressacas e perda da faixa de areia. Em 2019, as ondas chegaram a atingir calçadas e muros de casas no canto norte da praia. Antes mesmo da obra de alargamento, em 2021 e 2022, o município registrou pontos críticos de erosão e chegou a interditar trechos da orla.
A intervenção finalizada em maio de 2023, com investimento de cerca de R$18,8 milhões, ampliou em quase 3 quilômetros a faixa de areia entre o Canto Sul e o Rio Capivari. O objetivo era conter a erosão e proteger imóveis próximos à orla.
Por que isso continua acontecendo
Mesmo após o alargamento, fenômenos como o registrado nesta semana não são incomuns. Isso porque o engordamento da praia é uma solução paliativa, que depende de manutenção constante. A areia adicionada — retirada do fundo do mar — não se comporta da mesma forma que a original, podendo ser facilmente removida por correntes, ventos e ressacas.
Além disso, fatores naturais e humanos intensificam o problema:
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Ressacas e marés meteorológicas elevam o nível do mar e aumentam o impacto das ondas;
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Mudanças climáticas agravam a erosão, com elevação gradual do nível dos oceanos e tempestades mais fortes;
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A urbanização próxima à linha da costa impede que a praia tenha espaço natural para recuar, acelerando a perda de areia.
Um desafio que vai além das obras





