Na Praia do Rosa, em Imbituba (SC), um nome começa a se destacar entre as ondas: Maya, surfista de apenas 12 anos, que encontrou no mar não apenas uma paixão, mas também um caminho de superação.
Criada pela mãe Adriane e pelo padrasto Júlio, Maya começou a se aventurar no surf aos 6 anos. O incentivo da família foi fundamental, mesmo diante das dificuldades. “Ela sempre pedia para competir, e aos 7 anos já falava em disputar campeonatos”, relembra Adriane.
Com o apoio do bicampeão nacional Messias Félix, que assumiu sua preparação técnica, Maya passou a disputar competições ainda criança. As limitações financeiras, no entanto, sempre estiveram presentes. A família, dona de uma pequena pizzaria, usava o lucro do negócio para custear viagens e equipamentos. “No começo, ela competia com prancha usada e traje de borracha antigo. Foi emocionante quando uma pessoa anônima doou um novo traje, que permitiu a ela competir com mais segurança”, conta a mãe.
Em 2023, o sonho de alcançar o Campeonato Brasileiro Amador parecia distante. Para viabilizar a participação, a família contou com doações e com o apoio de empresas locais. Um dos primeiros a apostar na jovem foi o empresário Stefan Santille, da Ursofrango, marca que destina seus lucros à formação de atletas. “Maya não tem apenas talento. Ela tem uma determinação rara, e acreditamos que pode ser referência para o futuro do surf brasileiro”, afirma Santille.
Os resultados confirmam a aposta. Antes mesmo de completar 12 anos, Maya já havia conquistado o 5º lugar na primeira etapa do Brasileiro Amador e o 3º lugar no Catarinense. Este ano, tornou-se campeã Catarinense, campeã das Olimpíadas Interassociações e do GROM Fest, evento organizado por Tatiana Weston Webb e Jesse Mendes.
Para Adriane, cada conquista é também fruto de esforço coletivo. “Muitas vezes abrimos mão de coisas pessoais para investir no sonho dela. Ver a dedicação da Maya faz tudo valer a pena”, diz.
Agora, a jovem surfista se prepara para novas etapas do Catarinense e do Brasileiro Amador, sonhando em chegar cada vez mais longe. A família segue em busca de apoios para garantir que ela tenha as mesmas condições que outros atletas de alto rendimento. “Ela merece competir em igualdade. Com o suporte certo, acreditamos que pode alcançar voos ainda maiores”, completa Adriane.
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