Um dos maiores transatlânticos já construídos, o SS United States, está prestes a ganhar um novo destino — desta vez, no fundo do mar. A embarcação de mais de 300 metros, que um dia foi sinônimo de luxo e velocidade, está sendo preparada para se tornar um recife artificial na costa da Flórida, nos Estados Unidos.
A iniciativa, liderada pelo condado de Okaloosa, envolve um extenso processo de limpeza e desmontagem, necessário para garantir que o navio não represente nenhum risco ambiental após seu afundamento. O objetivo é transformá-lo em atração de turismo subaquático e, ao mesmo tempo, estimular a vida marinha.
Como funciona o processo
Responsável pelo processo, Tim Mullane, ex-marinheiro e hoje especialista em afundar embarcações com finalidades ecológicas, explica a National Geographic que cada navio exige uma abordagem técnica específica — mas alguns passos são sempre fundamentais. Entre eles:
-
Remoção completa da pintura e materiais tóxicos;
-
Limpeza total dos tanques de combustível (no caso do SS United States, são 120);
-
Retirada de materiais de isolamento térmico e acústico;
-
Abertura estratégica de escotilhas para facilitar a entrada da água no momento certo.
Essas etapas precisam ser realizadas com máxima cautela para proteger tanto a equipe envolvida quanto o ecossistema marinho.
Um adeus com propósito
Após mais de três décadas abandonado em um cais na Filadélfia, o SS United States foi adquirido por 1 milhão de dólares. Hoje, está ancorado no Alabama, onde vem sendo cuidadosamente desmontado. Seus quatro hélices já foram retirados, e os icônicos funis de quase 20 metros serão içados por guindastes em breve.
Mas o processo não termina aí: engenheiros criam modelos digitais da embarcação para garantir que o naufrágio ocorra da maneira correta — na posição vertical, com a embarcação estável no fundo do mar e sem riscos de contaminação. Afinal, o navio se tornará um habitat artificial para espécies marinhas e, também, ponto de visitação para mergulhadores.
Se tudo sair conforme o previsto, o afundamento deve ocorrer em novembro de 2025, a cerca de 50 metros de profundidade, no Golfo da Flórida. A expectativa do governo local é que a nova atração injete milhões de dólares por ano na economia regional, impulsionando o turismo ecológico.
De ícone a ecossistema subaquático
O SS United States teve sua viagem inaugural em 1952 e rapidamente se destacou pela velocidade: conseguiu cruzar o Atlântico em 3 dias e 10 horas — um recorde na época. Maior que o Titanic, ele foi símbolo da engenharia naval norte-americana durante a Guerra Fria.
Após anos sem uso e sucessivas tentativas fracassadas de revitalização, o navio perdeu a capacidade de navegação segura. Agora, ganhará uma nova função: servir à natureza e ao turismo sustentável.
Um trabalho que exige precisão e respeito
Mullane e sua equipe, composta por cerca de 30 profissionais, dedicam meses ao preparo minucioso da embarcação. “Você sai com óleo em lugares que nem sabia que existiam”, brinca ele, descrevendo a rotina dentro dos tanques de combustível do navio. “Não existe um navio como esse — e provavelmente nunca mais haverá. Transformá-lo em algo que continuará servindo ao mundo é uma honra.”





