
Imagem: ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO
A tragédia do Bateau Mouche IV marcou a história do Brasil como um dos maiores desastres marítimos do país. Na virada do ano de 1988 para 1989, o passeio de Réveillon terminou em tragédia com 55 mortos e uma impunidade que dura até hoje. Agora, o caso é revisitado na série documental "Bateau Mouche: O Naufrágio da Justiça", disponível na Max.
O que foi o naufrágio do Bateau Mouche IV?

Foto: Manoel Soares / Agência O GLOBO
O Bateau Mouche IV foi vendido como um evento exclusivo para a virada do ano, inspirado nas embarcações turísticas do Rio Sena, na França. O pacote incluía jantar refinado, música ao vivo e uma vista privilegiada da queima de fogos em Copacabana. O ingresso custava cerca de R$2.737 em valores atuais.
No entanto, a embarcação tinha diversas irregularidades. Projetada para apenas 20 passageiros, passou por reformas ilegais que aumentaram sua capacidade para 62 pessoas, segundo a perícia. No dia do naufrágio, havia cerca de 150 passageiros a bordo, mais que o dobro da capacidade permitida.
O que causou o naufrágio?

Cena da série da MAX
Mesmo com a superlotação, o barco chegou a ser fiscalizado pela Capitania dos Portos, mas foi liberado após 20 minutos. Testemunhas afirmam que houve suborno, mas as investigações não comprovaram a acusação.
Às 23h50, próximo à Ilha de Cotunduba e ao Morro da Urca, a tragédia aconteceu. O barco não suportou o peso excessivo e virou, agravado por ondas de 1,5 metros, para as quais sua estrutura não era adequada.
Entre as vítimas estava a atriz Yara Amaral, conhecida por novelas como Fera Radical e Anos Dourados. Segundo relatos, ela sofreu um ataque cardíaco ao ver a água subindo no banheiro.
Impunidade e impacto da tragédia

Imagem: Divulgação/Vídeo/Rede Globo
O primeiro julgamento, em 1990, absolveu todos os acusados. Em 1991, dois empresários foram condenados a quatro anos de prisão, mas fugiram em 1994 e seguem foragidos até hoje.
Décadas depois, nenhum dos responsáveis foi preso e apenas uma família recebeu indenização.
Série documental revisita o caso

Foto: Dani Dacorso/HBO
A série "Bateau Mouche: O Naufrágio da Justiça", filmada no Rio de Janeiro, traz imagens de arquivo, recriações da tragédia e entrevistas com sobreviventes, familiares das vítimas, advogados e especialistas.
A produção também utilizou um tanque de 40 metros de comprimento e até 25 metros de profundidade para recriar o naufrágio.
Disponível na Max, a série expõe os detalhes desse desastre e terá três episódios, lançados semanalmente, toda terça-feira.





