Uma descoberta surpreendente nas profundezas do Oceano Pacífico, ao largo da costa do México, está desafiando teorias estabelecidas sobre as origens da vida na Terra. Pesquisadores identificaram que nódulos polimetálicos, pequenas formações minerais encontradas a mais de 4.000 metros de profundidade, são capazes de produzir oxigênio por um processo distinto da fotossíntese.

Foto: FRANZ GEIGER/NORTHWESTERN UNIVERSITY
Esse fenômeno ocorre na planície abissal da zona de fratura de Clarion-Clipperton, uma região no centro do Pacífico. Os nódulos polimetálicos, ricos em metais como manganês, cobre e cobalto, são altamente valorizados pela indústria para a fabricação de baterias, aerogeradores e painéis solares.
A descoberta foi feita por uma equipe da Associação Escocesa para Ciências Marinhas (SAMS), que realizava estudos para avaliar o impacto da prospecção mineral nesse ecossistema único, onde diversas espécies sobrevivem sem luz. Durante as pesquisas, os cientistas observaram um aumento inesperado na concentração de oxigênio em amostras de água coletadas sobre os sedimentos marinhos, em condições de completa escuridão.
"Esse aumento de oxigênio em ambiente sem luz e sem fotossíntese é algo totalmente inesperado", afirmou Andrew Sweetman, líder do grupo de pesquisa em ecologia e biogeoquímica de fundos marinhos da SAMS. A descoberta pode levar a uma reavaliação das teorias sobre como a vida se originou na Terra, segundo Nicholas Owens, diretor da SAMS.

Foto: Escritório de Exploração e Pesquisa Oceânica da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA
A visão científica tradicional é que o oxigênio começou a ser produzido por cianobactérias há cerca de 3 bilhões de anos, possibilitando o desenvolvimento de formas de vida mais complexas. No entanto, as novas evidências sugerem que a vida poderia ter surgido em locais muito diferentes dos até então considerados, como as profundezas do oceano.





