Quando o amor é de verdade, nada é empecilho para a mudança acontecer. Foi o caso do casal Zé e Aline e dos seus felinos. Apaixonados pela natureza e por viagens, os alagoanos Aline Régia Alves Fernandes e José Maria Pinto de Barros Filho, ambos de 46 anos, abraçaram o sonho de morar a bordo durante a pandemia e não se arrependem.

Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
O casal relembra que o gatilho aconteceu no carnaval um pouco antes do lockdown quando foram com amigos para Bom Jesus dos Passos (Salvador) em um veleiro de 50 pés. Eles retornaram a bordo de outro veleiro e ainda não sabiam, mas o encanto pela vida a bordo tinha ganhado morada no coração de ambos.

Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
Zé e Aline contam que sempre praticaram vários esportes radicais, alguns deles náuticos, como SUP, Wakeboard e Windsurf e, apesar de diferente, a vida náutica não era desconhecida e sim encantadora para eles.
O catamarã que foi escolhido pelo casal foi fabricado no Maranhão pelo estaleiro Bate Vento. O primeiro proprietário o levou para água pela primeira vez em 2016 em Salvador. Após um período de negociações, em agosto de 2020 Aline e Zé fecharam o negócio. Dois meses depois, já estavam de mudança para o barco, inclusive com seus gatos.

Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
Eles são conhecidos nas redes sociais pelo nome (@cat7vidas), trocadilho de ‘Cat’ abreviação de catamarã, e gato em inglês. Já o número se refere às vidas que estão a bordo que ao todo são sete e novamente um trocadilho com gatos, já que dizem que o felino possui sete vidas.

Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
Planejamento
Apesar de ter acontecido muito rápido, o planejamento para a mudança não foi feito de qualquer jeito. É um investimento alto, visto que ele não termina na assinatura do contrato. “Manter um barco “casa”, é muito dispendioso e requer sim, um mínimo de planejamento. Aconselhamos a quem estiver querendo morar a bordo que pesquise antes”, conta Zé.
Além disso, o casal recomenda avaliar todas as possibilidades e conversar com pessoas com experiência na vida no mar. “Hoje existe um mundo de possibilidades de se trabalhar a bordo, seja home office, ou mesmo ligado ao mundo náutico, prestando algum serviço que se encaixe com suas habilidades e demanda de mercado. Desde receber hóspedes a bordo para viverem essa experiência da vela, até ser prestador de serviços com manutenção náutica”, ressalta Aline.
.jpg)
Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
Para realizar o sonho de morar no veleiro, Zé pediu desligamento do emprego que tinha em terra e passou a se dedicar aos reparos e a manutenção do catamarã, enquanto Aline trabalha até hoje de forma remota enquanto possuem uma renda extra do aluguel do apartamento. “A vida a bordo é relativamente simples, sem excessos, mais minimalista. Porém, estejam sempre preparados com imprevistos e gastos extras”, afirma Zé.

Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
Mudança e pandemia
Enquanto comentam sobre a época da mudança e o período de pandemia que assolava o mundo, Zé e Aline ficam divididos sobre a sensação da época. Apesar do momento terrível vivido mundo afora, a mudança para o catamarã trouxe muita coisa boa na vida da família.
“Foi graças a pandemia, que tomamos a decisão de viver a bordo. Queríamos manter um isolamento, nos mantendo em contato com a natureza. Mas ressalto que fomos privilegiados também em relação a isso. Temos consciência do estrago que foi para milhões de famílias que perderam amigos e familiares para essa doença terrível”, reforça Aline.

Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
Eles também ressaltam que sempre seguiram os protocolos recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) de prevenção e de isolamento, além de tomarem todas as vacinas. “Em resumo, conseguimos passar por esse período de uma maneira mais leve, mantendo também a saúde mental e tentando manter o equilíbrio”, completa Zé.
Momentos a bordo
Eles compartilham que um dos momentos mais especiais vividos foi chegar em Maceió navegando e serem recebidos por familiares e amigos. A cidade sempre foi o porto seguro do casal e local de muitas conquistas. Outros locais que eles recordam com muito carinho são: Loreto – Ilha dos Frades (BA), Ilha de Tinharé (BA), Maragogi (AL) e Barra de São Miguel (AL).
GATOS A BORDO
O catamarã, além de casa para Zé e Aline, também se tornou o lar dos cinco gatos do casal: Marcílio Browne (8 anos), Dora Bolina (8 anos), Highlander (7 anos), Maggie (4 anos) e Mel Gibson (4 anos). E agora, a mais recente, abandonada na praia na Barra de São Miguel, adotada virou a Cat Alien Clandestina (8 meses), Cat para não mudar o nome do barco (Cat 7 Vidas) Alien por ser a oitava passageira e Clandestina (homenagem ao gato da mãe da Aline, adotado no barco de guerra do avô marinheiro).

.jpg)
Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
E se engana quem pensa que a vida no mar não se aplica também aos gatos, quando questionados sobre a adaptação dos felinos: “Se adaptaram melhor que nós”, afirmou Aline. A rotina no catamarã já faz parte da vida dos bichanos. Segundo o casal, o único momento que eles não gostam é durante a navegação em mar aberto, ficam mais apreensivos e assustados. É possível conferir o dia a dia do casal e dos cinco gatos no Instagram deles.


Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
Eles afirmam que a personalidades dos felinos são completamente diferentes, cada um possui uma característica marcante e se tornou incrível observar o comportamento deles de perto, ressaltou ambos.
Sobre os cuidados durante a navegação, eles contam que em navegação noturna ou em mar agitado, os felinos ficam dentro da cabine fechada. As adaptações para eles se sentirem mais confortáveis no veleiro foram básicas, mas expressivas, como: arranhador de unhas para gatos no pé da mesa, fonte de água corrente e diversos brinquedos para interação.



Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
Eles relembram também do momento em que os gatos caíram na água e na apreensão vivida pelo casal. “Quando isso aconteceu, sempre estávamos ancorados ou atracados em algum píer. Deixamos as escadas na água e em alguns casos, foi por elas que retornaram. Em outros, tivemos que tirá-los da água. Na maioria das vezes foi porque ainda não tínhamos a tela no guarda mancebo”, afirma Aline.

Fotos: Cat 7 Vidas
Mesmo com alguns imprevistos, Marcílio Browne, Dora Bolina, Highlander, Maggie, Mel Gibson e Cat Alien possuem uma vida que muitas pessoas sonham a bordo do veleiro catamarã.

Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
LEIA TAMBÉM
Viver é melhor que sonhar: médica se muda para veleiro com sua família
Família unida em alto mar
Veleiro Aloysius: como o amor pelo mar transforma uma família
Adaptações
Mesmo com o sonho sendo realizado, as adaptações sempre continuam. Para eles diversos aprendizados foram vivenciados para ambos crescerem como pessoas e se desenvolverem ainda mais a bordo de um veleiro.

Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
Em dezembro de 2020, após alguns meses a bordo, a mudança do tempo e clima durante uma tentativa de subir de Salvador (BA) a Maceió (AL) foi intensa. Depois de 12 horas, eles decidiram retornar para a capital baiana quando também descobriram um problema em dos cascos que foi consertado quando retornaram para a marina.
Além da saudade da família e amigos, algumas praticidades e confortos da vida na terra fazem falta na vida do casal em alguns momentos, mas eles garantem que não trocariam a vida deles de hoje por nada. “As coisas ganham outro valor. Começamos a entender que menos é mais. Começamos a praticar o desapego. O simples passa a ter um valor muito especial”, conta Zé.

Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
Sobre a convivência a bordo, ambos concordam um com o outro ao dizer que ela pode ser ainda mais difícil do que os desafios a bordo. “Aprender a arte de velejar é difícil, enfrentar mares nem sempre tão amistosos é difícil, a constante manutenção também é difícil, mas, a convivência a bordo é infinitamente mais difícil que tudo isso junto”, afirmam.
Entretanto, eles também afirmam que isso une ainda mais o casal ao aprender a conviver melhor com os defeitos um do outro e a trabalhar algumas virtudes como paciência e respeitar o espaço individual, por exemplo. “Acho que evoluímos como pessoas e amadurecemos como casal”, finaliza Zé.
TOP 5 MOMENTOS ESPECIAIS
1-) A primeira vez que navegamos o catamarã, depois que o compramos.
2-) A mudança para o barco (em Salvador com os 5 gatos, malas e itens pessoais).
3-) A primeira travessia (Salvador-Maceió).
4-) A chegada em Maceió (praia de Pajuçara) pelo mar foi emocionante.
5-) A primeira velejada sozinhos, apenas Zé, Aline e os gatos.
Extra: Nascer do sol, pôr do sol, ancoragens lindas em diversos momentos desta nova vida a bordo.

Fotos: Cat 7 Vidas/Acervo pessoal
Reflexões com a vida a bordo
Apesar de admitirem que nunca tiverem pretensões em transmitir nada para ninguém através desta experiência, eles reconhecem como tudo ganhou bastante proporção. “Na verdade, tudo que queríamos era viver essa aventura, esse sonho que ambos tínhamos de viver a bordo e desfrutar nossa vida com o balanço do mar. Procurávamos uma vida simples, mais minimalista, com qualidade de vida”, ressalta Zé.
“Nós acreditamos muito que a vida, é o agora, e por isso, não fazemos planos a longo prazo para o futuro. O combinado é viver intensamente cada minuto, porque a vida é uma constante mudança e ninguém sabe quanto tempo viveremos essa experiência. Ela é válida até que não seja bom para um de nós ou para ambos. Tenho certeza que quem vive uma experiência como essa, nunca vai voltar o mesmo”.
Gostou da matéria? Compartilhe com seus amigos!





