Matéria divulgada na 1ª edição da revista digital e interativa A Arte de Navegar.
A cadeia náutica contribuiu muito para que o Brasil despontasse como um dos principais países turísticos do mundo. De acordo com uma radiografia sobre o Turismo Náutico lançado em 2021 pelo Ministério do Turismo, atualmente são mais de 80 destinos que estão diretamente relacionados com passeios que têm envolvimento com embarcações.

Foto: Matthew Barra, no Pexels
Tais dados levam em consideração o mar e a água doce como os rios espalhados principalmente pela região centro-oeste do Brasil.
São mais 8,5 quilômetros de costa, com mais 30 mil quilômetros que podem ser navegados e mais de 9 mil quilômetros de lagos e margens, reservatórios e lagoas, que estão dispostas em uma rica rede fluvial composta por 12 bacias hidrográficas. Por isso, a cadeia náutica possui grande relevância, já que através dela é possível estabelecer alguns locais como turísticos, como a região da mata amazônica e seus rios.
Quais são os tipos de embarcações atuantes na cadeia náutica?
A cadeia náutica é composta por vários tipos de embarcações, mas é possível destacar:
- Pequeno porte: canoas e caiaques
- Médio porte: veleiros, lanchas e as escunas
- Grande porte: navios de cruzeiros, navios de longo curso e navios internacionais
Adicionalmente, também existem as experiências que estão relacionadas à prática de esportes e atividades no mar e em áreas de água doce, como: wind, kitesurf, pesca esportiva, observação de animais, flutuação e mergulho.

Foto: Tatiana Twinslol, no Pexels
Quais são as regiões do Brasil onde o turismo náutico tem mais força?
O turismo náutico tem mais presença nas áreas marcantes pelo mar, onde o turismo pode ser explorado em várias vertentes. Porém, pode ser percebido nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
A maioria dos turistas que são recepcionados nessas regiões são oriundos da América do Sul, da Europa e da América do Norte. Isso evidencia a força do turismo brasileiro e do turismo náutico como potencializadora, que possibilita a exploração de várias localidades dentro dos estados citados.
Em 2020, foram oito navios que exploraram o litoral brasileiro, um número mais expressivo do que a temporada anterior. Foram praticamente 500 mil pessoas explorando o litoral, com movimentações financeiras oriundas do turismo de mais de 2 bilhões de reais.
No entanto, a pandemia impactou bastante o setor, já que o isolamento social se fez necessário, e ainda existem medidas restritivas para reduzir o contágio e preservar a população. O setor náutico sofreu com uma queda de quase 1 bilhão de reais devido aos cancelamentos.
Como a pandemia impactou a cadeia náutica?
A pandemia afetou diversos setores da economia mundial. No entanto, o turismo náutico sofreu um forte impacto, já que existem regiões que são exclusivamente dedicadas a esse tipo de turismo. Porém, mesmo com todas as adversidades, foi possível pensar em novas possibilidades e explorar a área de tecnologia, para trazer mais inovações ao setor.
Algumas tendências apontadas pelo Ministério do Turismo, são:
- Aluguel de embarcações para famílias;
- Locações por aplicativos (funcionamento semelhante a transportes por aplicativos);
- Compartilhamento de embarcações por cota de utilização (como as lanchas ou jet skis).
Através de um evento online para alavancar o setor, o Ministro do Turismo, Gilson Machado, evidenciou o papel do turismo náutico, e ainda citou o potencial de crescimento, devido às condições que existem no Brasil, e como o setor será importante na recuperação da economia, após a pandemia.

Foto: Pexels
O Brasil tem uma posição privilegiada em relação ao turismo em geral e, principalmente para o turismo náutico, já que não existem ocorrências de fenômenos como maremoto e terremoto, como acontece em outros países, além de contar com vários cenários incríveis ao longo do seu litoral.
Como será a contribuição da cadeia náutica para o turismo nacional e para a recuperação da economia?
O ano de 2021 foi marcado por retomar o turismo doméstico no Brasil, permitindo que o setor náutico aquecesse. De acordo com o Conselho de Turismo (CT) da Fecomércio de São Paulo (Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), estima-se um faturamento de 16% acima em relação a 2020, faturando mais de R$150 bilhões.
No entanto, essa estimativa ainda está abaixo dos dados registrados antes da pandemia, em março de 2020. Mas o setor está conseguindo se reerguer, e o papel da cadeia náutica tem sido fundamental para isso acontecer.
Em 2022, o turismo – principalmente o náutico – está aquecido pelos feriados prolongados e devido ao avanço do esquema vacinal da população, permitindo que algumas atividades sejam retomadas e cidades sejam reabertas para o turismo em geral.
De acordo com o calendário de feriados nacionais, serão aproximadamente 11 dias de descanso, considerando apenas dias úteis em 2022. Isso permitirá que o turismo seja alavancado com mais turistas circulando pelas cidades, explorando regiões e conhecendo um pouco mais da cultura local.
O Brasil voltou a gerar empregos neste setor, os portos e aeroportos voltaram a receber um grande fluxo de turistas em diversos estados. Algumas marinas já apresentam lotação máxima de ancoragem de barcos.

Foto: Pexels
Tudo indica que o período de bons ventos para o turismo nacional está próximo, além de boas oportunidades de crescimento para o turismo náutico, ajudando a levantar a economia do país.
Texto: Aline Mesquita





